Porquê Conan, o Destruidor

Um pequeno relato apaixonado sobre como é gostar de um filme... ruim!


por Ronan Barros

Parece saído de uma página de quadrinhos.

Antes de começar a falar sobre este filme em si, eu quero que você, leitor, saiba que eu gosto deste filme! Não falo isto numa tentativa de enaltecer alguma ideia de que trash é cool ou algo do gênero. Também não o estou fazendo com a intenção de colocá-lo ao lado dos grandes filmes do cinema como Poderoso Chefão, Laranja Mecânica e outros. Mas.... eu gosto deste filme. Tão pura e simplesmente assim. Pra mim ele é o segundo melhor filme do cimério. Bom... tá certo que só saiu 3 né... e talvez isto não seja lá um grande mérito. Mas ele, mesmo com todos os seus defeitos, faz parte da imensa e monumental franquia de 3 filmes que nós temos. Entenderam o que eu quero dizer? Não? Bom... é o verdadeiro: “se só tem tú... vai tú mesmo.”


Poster criado por Renato Casaro

Outras franquias, como Tarzan, Zorro, Batman etc... tiveram tantas produções no meio áudio-visual como filmes, seriados, desenhos que, convenhamos, é fácil para seus fãs simplesmente descartar aquilo que era ruim em prol de algo que fosse melhor. É é muito fácil esquecer das tranqueiras dos filmes de Batman do diretor Joel Schumacher quando você tem os filmes de Nolan para se lembrar. Nós, fãs de Conan, no meio áudio-visual temos apenas 3 filmes (4 se você considerar Red Sonja e apenas 1 parece ter aprovação da maioria dos fãs), um seriado e um desenho animado, ambos os últimos de qualidade bastante duvidosas... Será que seria melhor não tê-los? Alguns talvez defendam que se não for pra fazer algo digno é melhor que não se faça... mas... e se demorarem demais pra fazer algo digno? Será que seria melhor eu passar toda minha existência sem nunca sequer ter visto meu personagem preferido no meio áudio-visual? Particularmente prefiro ter a chance de assistir um filme tosco com o meu personagem preferido do que passar simplesmente a vida toda esperando por algo que talvez nunca venha a existir.... Vale lembrar também que, na maioria das vezes, é a própria produção em massa do personagem que o faz acertar seu caminho. Quantos filmes e seriados de Tarzan não saíram até que acertassem em Greystoke? Quantos filmes e seriados do batman saíram até acertarem em Begins e Dark Knight? Quantos filmes e seriados não tiveram até acertarem com o Hulk (e olha que este ainda não se acertou totalmente)? Claro que nem toda franquia sofre disto... Homem de Ferro que já nasceu nos cinema com um belíssimo filme... mas... convenhamos... é raro. Thor mesmo, que é da mesma produtora, já não possui o mesmo brilhantismo.


Schwarzenegger é fisicamente a cópia escarrada de Conan imaginado por Buscema

Então, eu não vou fazer neste tópico uma análise de onde o filme erra ou onde ele acerta... vou levantar apenas razões que me fizeram comprar este filme em dvd bem na época do seu lançamento (na época era algo caro… hoje em dia DVDs mal existem). E foi com muita alegria que eu fiz esta compra. Primeiro porque ele exalta todo meu saudosismo da infância que vivi nos anos 80. Quando criança eu adorava este filme. O achava melhor até do que o primeiro (sim… é verdade. Achava o primeiro muito parado e no segundo eu me divertia com as lutas, toscas, mas me divertia). Claro que eu não estava avaliando roteiro, profundidade ou fidelidade a obra... minha avalia era que o filme tinha um cara super musculoso, com pele brilhando como se estivesse em um concurso de bodybuilding, cabelos escovados que nunca atrapalhavam, portando uma espada super pesada, enfrentando bruxos, soldados, magos, um capanga gigante e um monstro alá os monstros de spectroman (alias, eu era fã do tosco spectroman também). Este filme não foi o meu primeiro contato com o personagem (meu primeiro contato foi com a ESC ainda criança mesmo)… mas, mesmo com todos os seus defeitos, aquilo era pra mim um espetáculo visual e auditivo que cativava minha imaginação e fantasia. Era o que eu tinha mais perto do que via nos quadrinhos em movimento. Foi esta criança que aprendeu a gostar de Conan. Esta criança, na época, não se questionava sobre a inteligência daquele bárbaro, ou sobre o grupo de trapalhões que o acompanhava (alias, eu gostava de Trapalhões também). Não foram poucas vezes que aquela criança segurou um pedaço de madeira imaginando ser uma espada para poder imitar exatamente os mesmos movimentos lentos e pesados que aquele ator marombado fazia… E eu fico feliz só de lembrar que já fiz isto um dia (eu tinha minha própria Atlentean Sword).


Princesa Xuxa e os Trapalhões?!?

O tempo passou... o mundo mudou... e aquela criança cresceu. As crianças atuais não seguram mais pedaços de madeira fingindo ser espadas. Agora usam botões para simular isto. Evoluem níveis de habilidades com armas virtuais e sangue jorrando nas telas. Reúnem-se, cada uma sua própria casa, pasmem, para se divertirem on-line. Na ótica deste mundo novo, aquele filme antigo pode mesmo ser ridículo, mal produzido, infiel à obra ou simplesmente “pastelão” demais para ser considerado divertimento... Mas dentro de mim ainda existe a lembrança daquele passado... e quando eu compro um filme como este... é impossível aquela criança dentro de mim não sorrir... e é impossível este adulto que vos escreve não se contagiar com aquele sorriso!

Hoje consigo ver o quão mal feito é esta cena, mas na época eu fiquei literalmente "roendo as unhas" de ansiedade para descobrir como Conan venceria Thoth-Amon.

Então… eu gosto deste filme! Com todos os seus defeitos. Eu reconheço todas as críticas sobre a obra. Óbvio que poderia ser melhor, mas não é todo dia que se nasce um clássico no cinema… na verdade a minha experiência com filmes se mostra exatamente o contrário. No cinema existem muito mais porcarias do que obras de respeito. Mesmo dentro das grandes franquias, ou dos grandes orçamentos (Star Wars que o diga). Ainda torço para uma representação a altura de toda a obra do personagem. Mas ainda não veio e tenho dúvidas se algum dia vai mesmo existir. Enquanto isto, este filme alegra aquela criança que um dia eu conheci. Por hora, isto basta para mim.

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