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yag-kosha

Um enigmático e exótico personagem ficou marcado para sempre na memoria dos fãs.


Por Ronan Barros


Apesar de ter uma aparição curta no conto “a torre do elefante”, este enigmático e exótico personagem ficou marcado para sempre na memoria dos fãs, Yag-Kosha, uma espécie de homem-elefante, com grandes poderes e imensa sabedoria, fica inevitável a ideia de que Howard, o criador de Conan, tenha se inspirado em Ganesha, um deus Hindu que é símbolo de sabedoria e chefe do exercíto celestial no hinduísmo. As evidencias a favor de tal correlação ainda ficam mais fortes quando parte da própria história de Yag se desenvolve na Vendya que seria a correspondente a índia da era hiboriana.


Há quem defenda também que parte da história de dor e sofrimento de Yag talvez tenham sido inspiradas na triste história real de Joseph Merrick, que por possuir uma doença congênita que deformava seu corpo, ficou conhecido como atração em circo chamada de O homem-Elefante. Essa associação é mais complexa de se fazer, mas como Joseph Merrick viveu até o final do século 19, é bem provável que tais fatos tenham chegado em algum momento aos ouvidos de Howard no início do século 20.


Na obra de Howard a história de Yag-Kosha começa muitos anos antes do próprio surgimento do homem num passado ainda obscuro e primordial da terra. Longe de nosso mundo, que ainda estava em formação, havia um planeta verde chamado Yag que ficava próximo a orla do próprio universo. Este planeta era dominado por uma espécie bastante poderosa e inteligente que possuía corpos humanóides, cabeça de elefante e asas sobre os ombros. Porém, em um determinado momento uma guerra entre essa espécie começou e Yogah, junto a outros aliados, se rebelaram contra os Reis de Yag.


Os rebeldes perderam a guerra e foram exilados do planeta sendo obrigados a viajar pelo cosmo numa velocidade acima da velocidade da luz usando suas poderosas asas. E assim Yogah, e seus aliados, vieram parar na terra, antes da própria origem dos homens. A atmosfera terrestre fez as asas de sua espécie murcharem e eles nunca mais puderam sair deste planeta o que os obrigou a transformar este mundo em seu novo lar. Na terra, Yogah passou a se chamar de Yag-Kosha e junto a seus aliados eles lutaram contra grandes ameaças que habitavam nosso primitivo mundo, fossem os antigos impérios do povo da serpente, os dinossauros ou mesmo “estranhas e terríveis formas de vida” que caminhavam sobre a terra.

Ao citar “estranhas e terríveis formas de vida” Howard parece sinalizar para a existência dos Mythos de Cthulhu no universo de Conan, mas, o faz de forma velada sem afirmar nomes ou seres. Esta é uma das passagens que fortalece a ideia de que o universo hiboriano de Howard, tem, de alguma forma, ligações com os horrores ancestrais da obra de Lovecraft.


Por fim, Yag e seus aliados conquistaram a paz ao se tornarem temidos e buscaram refúgio e reclusão nas selvas úmidas do Oriente, que, na era hiboriana, são terras conhecidas como Khitai e Vendhya.


De sua reclusão eles acompanharam sem interferir todo o alvorecer da humanidade. A evolução e adaptação de cada etnia, a ascensão e queda de esplendorosas cidades, a crueldade da natureza com os eventos cataclísmicos e o surgimento de cada nação da era hiboriana.


Essa passagem no texto original é um dos diálogos mais marcantes e brilhantes já escrito por Howard. Ele não só descreve parte da criação do mundo fictício da era hiboriana, como claramente se mostra adepto a teoria da evolução criada por Charles Darwin em meados do século 19. Há talvez alguns erros de concepções na forma que a teoria é apresentada, mas é curioso perceber que Howard usa os conceitos de adaptação e seleção natural para a formação das espécies e etnias da era hiboriana. Principalmente se imaginarmos que, no início do século 20, o conservadorismo religioso era totalmente contra a ideia da teoria da evolução.


Com o decorrer das eras, os aliados de Yag-Kosha foram morrendo... pois, apesar de uma vida longeva para os padrões humanos, eles não são imortais. Até que Yag-Kosha se tornou o único sobrevivente. Os ancestrais dos povos dos reinos orientais o adoravam como um Deus. Construíram templos em seu nome e, em troca, ele ensinava suas artes mágicas, e compartilhava o conhecimento de universo que sua espécie continha.


Até que um dia ele conheceu o feiticeiro Yara. No inicio Yara se apresentara como um estudante de sabedoria e feitiçaria e viera para Yag-Kosha afim de aprender com a criatura sua sabedoria e magia. Yag-Kosha fez um esforço para ensinar a Yara a força da magia branca. Da humildade e da moralidade, mas Yara estava interessada apenas no poder. Então, em um ato traiçoeiro, Yara usou conhecimentos profanos da antiga Stygia para aprender os segredos de seu mentor e voltar seu próprio poder contra ele. Assim, Yara tornou Yag-Kosha seu escravo mágico particular afim de extrair todo o seu conhecimento e poder.


De volta para o oeste, na cidade de Zamora, Yara obrigou que Yag-Kosha usasse seus poderes e construísse em apenas 3 dias uma grande torre a qual usaria para ser sua própria prisão. A torre se tornou conhecida como a misteriosa A torre do Elefante.


Durante 3 séculos Yara torturou Yag-Kosha e o forçou a cometer pecados e crimes inimagináveis. O corpo de Yag padeceu, se tornando aleijado, cego e mutilado com o tempo. Porém, um dia, um jovem e destemido ladrão de origem ciméria, conseguiu invadir a torre e encontrar o salão onde Yag-Kosha era mantido acorrentado. O jovem se assustara ao perceber que a bizarra criatura humanoide e com cabeça de elefante não era apenas um ídolo e sim um ser vivo. Yag-Kosha aproveita a ocasião e lhe conta toda a sua historia e, compadecido com a dor da criatura, o jovem ladrão o ajuda a realizar um último grande feitiço.


O ladrão, claro, é Conan e Howard aqui literalmente brinca com a nossa percepção pois, apesar da forma bizarra de Yag-Kosha, logo percebemos que o verdadeiro monstro da história, era o humano Yara. Assim, não é pra menos que a melancolia da história de Yag aliado a reviravolta sobre quem é o verdadeiro monstro embutida nas entrelinhas do conto, dão a esta obra um tempero bastante único com um certo gosto de tristeza e reflexão.


O feitiço pedido por Yag consistia em arrancar o seu próprio coração, espremer o sangue sobre uma joia que estava no altar e entregá-la a Yara que se encontrava em transe numa sala abaixo. Apesar de inicialmente ficar indeciso com a ideia de matar a criatura, Conan realiza o ritual e entrega a joia a Yara. Este é então encolhido e sugado para dentro da joia e Conan vê, dentro daquele micro universo no interior do cristal, a figura de Yag-Kosha, mas não mais aleijado ou cego. E sim em completa forma e com suas asas... perseguindo o mago Yara.

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