A AMAZON TERIA VETADO CONAN?

Segundo o canal Midnight Edge, uma produtora da Amazon (Jennifer Salke), acabou vetando o Conan, que estava nos planos da empresa em 2020 para virar série adulta. Concorria para a mesma vaga The Wheel of Time, de Robert Jordan. Senhor dos Anéis já estava anunciada, e essa era a estratégia da Amazon para ter seu próprio império de fantasia e fazer frente a Game of Thrones: enquanto Tolkien seria uma fantasia mais familiar, Conan seria a alternativa mais hard e adulta, dando a Amazon não uma, mas duas grandes séries de fantasia completamente diferentes e complementares entre si. Como sabemos... o resultado não favoreceu o cimério e agora veio à tona a possibilidade dele ter sido vetado por conta da produtora Jennifer Salke, que não compreende o personagem na sua essência e o rotulou como ”tóxico”. Como sabemos que não, as histórias do cimério não são sobre masculinidade tóxica no sentido atual, pedimos ao nosso colega Marco Collares que nos brindasse com um texto sobre o assunto, e ele prontamente atendeu.


Por Marco Collares



Ficamos sabendo da notícia do cancelamento da série Conan, na Amazon porque uma produtora julgou que o personagem contém elementos daquilo que chama de “masculinidade tóxica”.

Como de costume, a falta de conhecimento ou discernimento sobre esse personagem e seus ciclos literários impera, talvez por conta dos estereótipos criados na cultura pop.


Robert Howard trata sim de elementos de uma nova masculinidade em sua obra, modificando as noções da dita masculinidade vitoriana do século XIX, baseada na razão e na contenção dos impulsos para uma nova noção que surgia nos EUA na época, baseada na força física, vigor, temeridade, primitivismo, baseando seus personagens não apenas em bárbaros da literatura ou da história como também nos elementos do mito da fronteira dos EUA e dos texanos de outrora.

Conan teria essa conotação e ele tem uma conduta para com as mulheres que questiona até mesmo a forma como os homens civilizados as tratam. Ele questiona a escravização das mulheres por seus pais, que as vendem para obter ganhos políticos, ele é avesso ao estupro, ele tem um código de honra e até fidelidade com aquelas por quem se relaciona.


O personagem possui uma riqueza que deve ser melhor observada, não sendo apenas o sujeito com espada matando monstros e feiticeiros, mas sim um bárbaro que vaga nas nações civilizadas e que sobrevive em meio à corrupção daqueles que as compõem.

belit conan o barbaro  a rainha da costa negra
Belit é um exemplo de força e dá nome ao conto A Rainha da Costa Negra. Inclusive, Conan deve sua vida à ela, que volta dos mortos para salvá-lo.

Em Conan existe uma premissa de que a violência é reparadora dos males dos elementos corruptores e civilização e seu barbarismo possui códigos positivos de honra e temeridade, apesar dele não ser o arquétipo bom selvagem rousseauniano.


Valeria Conan Robert Ervin Howard
Howard descreve a personagem Valéria como uma pirata forte e independente.

Mulheres fortes e altivas são representadas em algumas narrativas e mesmo quando são representadas mulheres que precisam do cimerio em alguma situação, elas vem em Conan alguém que as trata com dignidade, algo que segundo elas mesmas, falta nos homens civilizados, que apenas a vem como objetos de lascívia e de uso para fins de benefícios pessoais.


Conan é honesto e vive o prazer do instante, seja na batalha ou nos seus relacionamentos e sua característica básica em relação as mulheres é a de ser verdadeiro, expressar para elas sua natureza e jamais agir com elas da mesma forma que os homens civilizados. Esses sim, imbuídos de toxidade.


Infelizmente, a produtora não conhece e por conta de estereótipos e desinformação e desconhecimento, perdeu a chance de mostrar um personagem rico e questionador da hipocrisia civilizada, o que é um tema ainda atual em nossa sociedade.

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