Personagens de Howard: uma introdução

A produção literária de Howard vai muito além de Conan. Conheça alguns de seus personagens mais marcantes


Por Marco Antônio Correa Collares

A extensa galeria de personagens de Robert E. Howard (e ele mesmo, do centro para à direta).

Sem dúvida, Robert Howard criou muito mais do que o cimério Conan e isso apenas se considerarmos seus personagens mais marcantes. O rei Kull, da Valúsia, criado entre os atlantes, mas que se tornou o mais famoso rei do imponente e (talvez decadente) reino do oeste de Thurian; Bran Mak Morn, o rei picto da raça antiga dos homens pintados da Caledônia, enfrentando, no século II o avanço das tropas romanas sobre as terras altas escocesas; o pirata irlandês Cormac Mac Arrt, que no século IV saqueava as costas da Europa; o Sombrio celta selvagem Turlogh "Dubh" O'Brien, o guerreiro irlandês do século XI que vivenciou a batalha de Clontarf entre os chefes irlandeses e nórdicos, as margens do rio Tolka, na pequena Dublin; o poderoso irlandês-gaélico-normando Cormac FritzGeoffrey, um sujeito forte e melancólico que foi até a Palestina para participar da Terceira Cruzada ao lado de Ricardo Coração de Leão, chegando a se encontrar com Saladino diante de suas disputas de honra e vingança; Agnès de Chastillon, uma espadachim francesa do século XVI, que não permitia a nenhum homem tocá-la sob a ameaça de ter seus membros cortados, ela que seria uma predecessora de Sonya, a Roja, uma heroína russa a defender Viena do assédio dos turcos no mesmo século XVI; James Allison, um aleijado que no leito de morte recorda suas vidas anteriores de guerreiro (algo que foi reproduzido nos quadrinhos na obra "Guerra de Luz e Trevas", em outros contextos e situações); Esaú Cairn, que se vê aprisionado no planeta Almuric e parece uma manifestação de John Carter de Edgar Rice Borroughs; Salomon Kane, o espadachim puritano inglês do século XVI, que viaja pelos ermos africanos ou outros para combater o mal; Steve Costigan, o marinheiro boxeador que nunca se entrega e que prefere morrer pelo seu cão a jogá-lo no mar; o pistoleiro Francis Xavier Gordon, conhecido como El Borak, a se aventurar no médio oriente com sua pistola rápida e certeira, e outros, muitos outros.


Howard gostava da rusticidade e da honra desses homens e mulheres valentes e temerários e, apesar de não tecer a simples leitura do Bom Selvagem de Rousseau, tal como interpretada por muitos, ele preferia a barbárie honesta a civilização corrupta e vestida de seda, muitas vezes adotando a teoria dos ciclos de Arnold Toynbee, helenista que pesquisava os ciclos de auges e decadências das civilizações históricas, na mesma linha de Edward Giddon e sua obra, "Ascensão e Queda do Império Romano", bem como da ciclosicose polibiana e sua leitura dos ciclos dos regimes políticos das poleis gregas de Aristóteles. Howard, claro, misturava a tudo isso, a visão que tinha de seu Texas e do sudoeste dos EUA como um todo, presenciando o boom do Petróleo em sua localidade e depois a crise que deixou uma corja de criminosos e marginais por Cross Plains, ainda que não negasse a valentia de muitos daqueles assassinos e rufiões.


Howard vai muito além de Conan, apesar de todos gostarmos do famoso guerreiro cimério, ainda há muito por conhecer.

186 visualizações1 comentário

Posts recentes

Ver tudo