Os Pictos de Robert E. Howard

Atualizado: 31 de Mar de 2020

Uma breve história literária dos pictos a partir das narrativas de

Robert Howard, criador de Conan, Salomon Kane, Kull e Bran mac Morn


Por Marco Antônio Correa Collares

Parte I – Entre história e ficção

Falemos dos pictos então. Se tem uma raça ou grupo que Robert Howard muito se debruçou foi sobre esse povo e vou, ao longo das próximas postagens escrever sobre eles na obra do criador de Conan.


Segundo o historiador Stuart MacHardy (2012), os chamados pictos viveram no norte da Escócia, definindo-se como uma "Confederação de unidades tribais, cujas motivações políticas derivadas de uma necessidade em se aliar contra inimigos comuns".

Pedra com inscrições encontrada na Escócia atribuída as povos pictos.

Os pictos não deixaram nenhum registro escrito de sua história, sendo conhecidos por fontes variadas, tais como os escritores romanos e escoceses da Idade Média ou mesmo as interpretações dos historiadores e arqueólogos modernos sobre as imagens deixadas por eles nas pedras.


O escritor romano Eumenius refere-se, no século III D.C a um conjunto heterogêneo de tribos do extremo norte da Grã-Bretanha como "Picti" (que em latim significaria, os pintados), um termo adotado em razão das tribos em questão possuírem o hábito de pintar seus corpos com corante.

A origem do termo aqui é comumente criticada por acadêmicos modernos, que consideram o termo derivado de "Pecht", que seria uma palavra para "os antepassados".


O famoso historiador latino, Tácito, se refere ás tribos do extremo norte da Grã-Bretanha, atual Escócia como "Caledônios", que seria apenas o nome de uma das muitas tribos desse povo heterogêneo. Interessante que o avanço romano na Grã-Bretanha parou na Muralha de Adriano, significando que pictos, celtas irlandeses e escotos jamais foram subjugados na região que hoje chamamos de Irlanda e Escócia.


Bem, aqui apenas um pequeno trecho de uma obra sobre esse grupo e não sou entendido o suficiente para me aprofundar no assunto. Mesmo assim cito uma dissertação em história que contém informações sobre o povo, dissertação essa intitulada de “Retórica e representação: os lugares-comuns na caracterização do modo de fazer guerra de celtas e bretões do norte” de autoria de Juliet Schuster, de 2016, facilmente encontrada na Internet.


O fato é que Robert Howard se fascinou pelo povo picto, algo presente em uma carta dele de 1933 para o também escritor pulp, H.P. Lovecraft, quando ele afirma que tinha entre 12 ou 13 anos, quando, em uma visita a New Orleans, se interessou por um livro que contava a história romantizada das origens dos povoamentos da Britânia como um todo. Hoje sabemos que o livro em questão é "The Romance of Early British Life. From the Earliest Times to the Coming of the Danes”, de G.F. Scott Elliot. Aliás, Howard também se fascinaria também pela obra do século XII sobre os antigos reis britânicos, obra essa escrita pelo clérigo galês, Geoffrey de Monmouth.


Bem, a partir de agora postarei então resenhas com interpretações sobre alguns contos howardianos no que tange a esse povo, estabelecendo o olhar de Howard sobre um povo que aparece em vários escritos do autor, sendo os de Conan, o magnífico, “Beyond the Black River”, “The Black Stranger” ou “Wolves Beyond the Border” (em que Conan mal aparece, terminada por Lyon Sprague De Camp), fora os escritos de horror ou de memórias raciais ou mesmo aqueles do rei valusiano, Kull, com seu aliado picto, Brule.


Hoje sabemos que um dos primeiros personagens criados por Howard segundo ele mesmo em uma carta de 1933 (enviada para o amigo escritor, Tevis Clyde Smith) foi o rei picto (da raça antiga picta e ao mesmo tempo mesclada), Bran Mak Morn, imaginado pela mesma época, talvez que o pistoleiro, El Borak, esse reconhecido como o primeiro personagem do texano.


Nas próximas partes desse tema, vamos conhecer então os pictos howardianos mediante os contos dos ciclos de Bran e de contos periféricos de Howard que tratam desse povo.


Parte 2

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