Os Pictos de Robert E. Howard (parte 2)

A segunda parte da história dos pictos a partir das narrativas de

Robert Howard, criador de Conan, Salomon Kane, Kull e Bran mac Morn


Por Marco Antônio Correa Collares

Representação do xamã picto Zogar Sag (do conto Além do Rio Negro, de Robert E. Howard)

Parte 2 – De antagonistas a protaginistas

As narrativas de memórias raciais e aquelas de horror lovecraftiano se juntam aos ciclos de Bran Mak Morn mais algumas famosas narrativas de Conan para tratar dos pictos. De certa forma, contos do porte de "The Black Stone", "The Valley of the Worm", Kings of the Nigth", "Men of the Shadows", "The Lost Race", "The Drums of Pictdom", entre outras, se juntam a algumas famosas do cimério para falar dos pictos, explicar as origens da raça e suas características. De antagonistas a protagonistas, os pictos são centrais em grande parte da mitologia howardiana, reverberando os ciclos de evolução e decadência social, cultural e racial, tão presentes em seus escritos e em seu modo de ver as coisas. A conversa do personagem Cororuc com o chefe e xamã picto do conto "The Lost Race" evoca essa dupla visão racial em Howard. O bretão pergunta para o picto que raça seria aquela e se impressiona com a reposta, visto que a raça picta que ele conhecia era baixa, atarracada, quase simiesca. O bruxo explica então que não, que os pictos um dia, antes do cataclismo foram altivos, imponentes e prósperos, até que foram sendo expulsos por homens com armas de bronze, se restringindo ao norte e a oeste. Então, quando chegaram os celtas, galeses e bretões as terras onde os pictos ocupavam na grande ilha britânica (após ocuparem a região como os primeiros a chegarem), eles foram sendo empurrados pelas vagas celtas, até que alguns foram para os subterrâneos, guardando nos recônditos mais ermos os elementos raciais dos antigos, chamados pelo bruxo do conto, de membros da primeira raça pré-humana.

Um picto (ou caledônio), como foi representado em um livro de história do século XIX. Imagem: Lantresman/Wikimedia Commons

A mitologia howardiana traça então aquilo que nós historiadores chamados de historicidade, vinculando um povo oriundo de uma antiga raça não humana a história conhecida, delineando os processos de auge e decadência racial, cultural e tecnológica desse povo, meio que em paralelo aos grupos humanos propriamente ditos. Não esqueçamos, que como um autor dos anos 1920-1930, Howard estava deveras vinculado as concepções evolutivas e racialistas, não podendo ser retirado de seu meio e do instrumental linguístico e conceitual que tinha a disposição. A ambivalência dessa raça em paralelo com as outras, incluindo a dos homens do norte (os hiborianos, por exemplo ou a mescla com eles que deu origem aos arianos ou filhos de Aryas) ou aos celtas (que no conto são chamados de quarta raça e que poderiam ser de origem atlante, ciméria, apesar destas serem chamadas de terceira raça e que certamente demarca um subtipo encontrado na ilha, os cymri) ou mesmo os orientais (que podem ter origem lemuriana, depois hyrkaniana e mongol, misturando-se para formarem outros povos), demonstra a riqueza da visão howardiana, não sendo possível para o autor que vos escreve, nesse momento, detalhar com precisão o amontoado de informações complexas inscritas nos diversos contos do texano. Mas vale a pena estudar isso.


parte 1

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