VAMOS FALAR SOBRE CONAN - parte #1

Atualizado: 31 de Mar de 2021

ROTEIRO DE MARCO COLLARES PARA O PODCAST DA RAIO LASER LASERCAST 17


Por Marco Collares


Ilustração de Edgard Rupel sobre o traço original de John Buscema.

Pois bem. Fui convidado para uma conversa sobre o bárbaro Conan, em um podcastLasercast – com o pessoal do site, Raio Laser, especializado em HQs e no qual também faço parte com textos e artigos. Eles fizeram um roteiro geral e fui preenchendo os pontos que seriam debatidos no programa. Agora, o Fórum Conan, o Bárbaro e o próprio Raio Laser publicam na íntegra alguns pontos do roteiro a partir do texto que fiz para responder aos tópicos do bate papo.


1. Relato pessoal: como conheceu Conan e qual foi o impacto desse encontro.


Eu conheci o personagem primeiramente pelos filmes, primeiro “Conan, The Destroyer” e depois, Conan The Barbarian (na ordem inversa às produções). Depois vieram as HQs de Conan, por volta de 1992-1993. Tive contato antes dos super-heróis, de um vizinho que me emprestava. Depois comecei a colecionar super-heróis, como X-Men e aos poucos fui ampliando minhas leituras e coleção, mais da Marvel do que da DC, por volta de 1994. Em 1997, tive uma comics shop em minha cidade e já era um colecionador de quadrinhos de modo geral. Nas grandes editoras, tinha predileção por X-Men, Demolidor, especiais do Batman e Conan, principalmente as revistas em formato magazine (ESC e Conan Saga).

Desenho de John Buscema.

2. Sobre o sucesso da Espada Selvagem de Conan no Brasil.


A Espada Selvagem de Conan foi uma revista em quadrinhos para adultos, se tornando mensal depois de iniciar bimestral, pela Editora Abril. Ela narrava as aventuras do personagem Conan e também de outros personagens de Robert Howard, incluindo Kull, Solomon Kane, Bran Mak Morn e Red Sonja. Lançada em 1984 e publicada até 2001, ela teve 205 números, sendo a edição brasileira uma versão da revista americana, Savage Sword of Conan, surgida em 1974, no formato “magazine” e também em preto e branco. Como “magazine”, a Savage Sword of Conan não teve que se adequar ao Comics Code Authority, o código de autocensura das grandes editoras, adotado a partir de 1954. A revista brasileira tinha no total, 68 páginas e além das aventuras do Cimério, trazia algumas histórias curtas de outros personagens howardianos. As edições originais passaram a ser republicadas em 1991 (com 57 edições) e houve também treze revistas coloridas.


3. A questão da arte e dos roteiros orientados para leitores mais maduros.


A chamada CMAA - Comics Magazine Association of America ou Associação Americana de Revistas em Quadrinhos era uma organização a qual foi atribuída a autoridade pela observância da aplicação do famigerado "Código dos Quadrinhos" (Comic Code Authority), sendo criada na década de 1950 pelas editoras. Era uma forma de autocensura no conteúdo dos quadrinhos americanos, meio que uma resposta a uma recomendação do Congresso e ao clamor moralista insuflado pelo psiquiatra de origem germânica, Fredric Wertham, autor do livro Seduction of the Innocent. Essa auto-regulamentação modificou o conteúdo das revistas em quadrinhos, tanto na escolha das cores, nos temas e nas palavras. Todas as edições e títulos que ostentavam o selo nas capas, seguiam um padrão moralizante. Oficialmente o código deixou de ser usado somente no século XXI, mas na prática, as editoras burlavam de todas as formas, principalmente a partir de meados da década de 1970.


O Comics Code surgido seguia uma adaptação de códigos anteriores existentes, tanto na DC Comics, quanto na Archie Comics, a editora que comandava a respectiva associação. A grande prejudicada com a censura foi seguramente a editora, EC Comics que publicava títulos de horror, contendo um viés pulp de erotismo em suas capas e narrativas. Várias publicações da EC foram citadas por Wertham em seu livro, como sendo de mau gosto e como influências nefastas sobre os jovens, tornando-os “delinquentes juvenis”. Como forma de evitar censuras em suas distribuições e vendas da Revista Mad, a EC adotou um formato diferente daqueles das comics, comuns as revistas em quadrinhos de super-heróis e passou para o formato “magazine”, com 21,5 x 28 cm, formato conhecido no Brasil por ser usado em revistas semanais de notícias do porte de uma Veja. Ao adotar o mesmo formato para uma revista em preto e branco de Conan, tanto nos EUA (1974) como no Brasil (1984), as edições fugiram das restrições do código. Com isso, as narrativas de Conan eram mais adultas, contendo erotismo, certa nudez, dozes elevadas de violência. Puderam então adaptar mais fielmente as narrativas de Howard e alcançaram públicos mais adultos e mais exigentes, tornando-se fenômenos de vendas.

4. Alguns dos desenhistas mais emblemáticos de Conan.


Existem muitos ilustradores incríveis que passaram por Conan, tanto nas narrativas como nas capas de suas revistas. Nomes como de um Quique Alcatena, Thimot Thruman, também roteirista, Tomás Giorello, mais recentes na Dark Horse se juntam a nomes já canônicos dos tempos mais antigos, ilustradores do porte de Joe Jusko ou Earl Norem. Abaixo, uma pequena lista dos nomes mais conceituados, segundo muitos fãs e especialistas.


John Buscema


Big John, um mestre dos quadrinhos.

Nascido Giovane Natale Buscema, no Brooklyn de Nova Iorque, no dia 11 de dezembro de 1927, John Buscema (nome artístico) demonstrou interesse em desenhos desde a infância, copiando as tiras do marinheiro Popeye. Quando já era um adolescente, ele começou a ler revistas de super-heróis, bem como tiras clássicas do porte de um Tarzan ou um Príncipe Valente, de Hal Foster, um Flash Gordon do incrível Alex Raymond e um Terry e os Piratas de um Milton Caniff.