Raças e Culturas da Era Hiboriana - PARTE IV | Nordheim (Aesires e Vanires)

O quarto texto sobre as raças criadas por REH para povoar a era Hiboriana das histórias de Conan.


por Marco A. Collares

Parte IV


Importante que esse texto não está referendado apenas nos escritos de Robert Howard, mas também em outras fontes, então não se trata de um texto purista. Muito do que seguem nas linhas foi retirado também do Gurps Conan e deve ser pensado a partir do que foi escrito neste livro.


NORDHEIM (AESIRES E VANIRES)

Na Escandinávia da Idade Média, Asgard seria a casa de Aesir da mitologia nórdica. Howard afirma que o Mar Báltico iria, no pós-cataclismo, dividir sua Asgard fictícia nas modernas Noruega, Suécia e Dinamarca de acordo com o ensaio, “A Era Hiboriana”. Vanaheim, por sua vez é a casa do Vanir na mitologia nórdica O vanir de cabelos ruivos finalmente derrubará a aristocracia maligna da Estígia e encontrará o Egito faraônico, segundo Howard. Eles são ruivos, porque antigas lendas egípcias dizem que o Egito foi fundado por estranhos "de cabelos vermelhos" vindos de fora. (Texto extraído de “A Filosofia em Conan”, de Afrânio Tegão, baseado em relatos de Robert Howard e em estudos sobre o autor e sua obra).


A nação dos aesires situa-se a leste de Vanaheim e das Montanhas Azuis, a oeste de Hiperbórea e do suposto Rio do Gelo da Morte, e ao norte da Ciméria e dos Montes Eiglophianos. Aesgaard e Vanaheim, juntas, compreendiam a região conhecida como Nordheim, provavelmente a mesma pertencente ao misterioso povo thule do pré-cataclismo. Os aesires que habitavam esse terreno acidentado eram numerosos e bravos. Quase tão sanguinários quanto seus vizinhos, os vanires. Eles se destacavam nas guerras, usando seus famosos elmos de chifres e brandindo enormes machados de guerra. Parece ter havido uma aliança agressiva entre Aesgaard e a Ciméria, já que o jovem Conan passou um longo tempo com os aesires, saqueando Vanaheim e Hiperbórea. (Robert Howard – Extraído do Site: As Crônicas da Ciméria).


Aesgaard foi uma das poucas nações que não se submeteu às guerras da Era Hiboriana posterior. Seu povo foi, definitivamente, expulso de sua região pelas grandes glaciações. Com o fim da Era Glacial, os picos de Aesgaard formaram a Península Escandinava.

Ilustração: Breogan Alvarez.

A Nação que fica mais ao norte do continente chama-se Nordheim, um lugar de elevadas montanhas cobertas de gelo, terreno acidentado, diversas tundras e taigas mais ao sul. Lá, vive o povo conhecido como nordheimer, formado por bárbaros de pele clara, olhos claros azuis ou verdes, cabelos ruivos, loiros, castanhos ou negros, sendo divididos em duas grandes regiões e confederações de tribos de caráter étnico.


Do lado ocidental, estão os vanires, com seus cabelos e barbas ruivas, castanhas ou negras, ombros largos e torsos avantajados; do lado oriental estão os aesires, com cabelos loiros e olhos azuis cristalinos e torsos poderosos e esguios, apesar de fortes e musculosos. Na verdade, esses povos seriam em parte descendentes também dos atlantes, tal como os cimérios mais ao sul, ainda que eles igualmente desconheçam tais origens e ainda que isso não seja uma certeza.


A história do povo como um todo é de que eles foram repelidos para o norte na época das guerras pictos-atlanteans, após o Grande Cataclisma. Com o tempo, esses homens foram regredindo a estágios selvagens, ficando quase na condição de homens-feras, próximos aos grandes macacos brancos selvagens que viviam na região norte, até que, por fim, eles evoluíram até o estágio da barbárie e, nesse ponto, começaram a empurrar povos que viviam mais ao sul, os hiborianos, levando-os às suas grandes migrações pelo continente ocidental.

Aesires em guerra contra os vanires.

Do ponto de vista das duas grandes confederações de tribos, a história narra a disputa entre dois chefes em um casamento que selaria o pacto de união entre todos, mas que acabou se tornando o início do grande feudo de sangue entre os dois grandes grupos étnicos, agora divididos pelas Montanhas Azuis, que separa os territórios de Asgard de Vanaheim.


Nos picos das respectivas montanhas, existem ursos brancos polares e mastodontes, bem como grandes macacos selvagens que teriam se mesclado aos ancestrais dos nordheim. Nas taigas, existem alces, raposas e bois selvagens, muitos dos quais servindo de caça para os homens do norte, que estão na condição de caçadores, coletores e pescadores (nesse caso aqui, mais os vanaheim), além das práticas de guerras de pilhagens ocasionais.


Os nordheimer são eminentemente bárbaros e eles costumam ter um código de honra que demarca sua cultura, visto que a palavra dada e o nome recebido e exaltado têm muita importância em suas sociedades guerreiras e tribais. Muitos grupos ou clãs dentro das tribos entram em conflitos quando ocorre alguma falta, gerando o que eles chamam de Feudo de Sangue, quando famílias e clãs entram em disputas umas contra as outras, normalmente até a eliminação de um dos lados da contenda.

Conan enfrenta os ruivos vanires. Ilustração: Cary Nord.

O povo tem inimizade com os cimérios, principalmente os vanires, não sendo, no entanto, muito comum que eles entrem em conflitos com os bárbaros do sul. O fato é que a casta guerreira domina a sociedade, sendo o chefe da casa aquele que distribui as pilhagens entre o séquito, ganhando assim a lealdade de seus familiares mais próximos e demais membros do clã, que conforma uma família extensa (semelhante ao chamado comitatus germânico da época de finais do Império Romano Ocidental).


Normalmente os vanires são mais tristes e isolados, sendo pescadores em caiaques improvisados para complementar sua alimentação. Os aesires, por sua vez são mais alegres e normalmente, em suas casas, existem grupos grandes de homens e mulheres em cantorias e bebedeiras ocasionais, na premissa de que se deve viver o instante, já que amanhã “qualquer homem pode estar morto”.

Os loiros aesires.

A lei é severa e normalmente um assassinato é punido com morte ou mutilação, a menos que seja em uma disputa justa e a partir de uma falta de um dos combatentes. Assim, um homem que mata outro em uma disputa justa de armas, costuma pagar para a família do morto o weregild, uma espécie de remuneração equivalente a sete anos de ganhos em vida do homem que jaz morto. A família do morto aceitará isso se for provado que tudo foi feito dentro da honra guerreira, iniciando um feudo de sangue caso isso não se comprove.

Os ruivos vanires.

As feiras sazonais são importantes na cultura do povo, pois é onde tribos se encontram e onde julgamentos públicos e o direito a defesa pode ser exercido, sem punições por três dias, mesmo em casos de culpas provadas. Normalmente, o guerreiro com maior séquito de guerreiros em seu clã em uma tribo se torna o chefe da mesma, uma espécie de rei guerreiro, sendo que as tribos, apesar de falarem a mesma língua e possuírem costumes parecidos, não são unidas entre si.


Normalmente o nordeheimer prefere a glória individual à glória coletiva na arte da guerra, fazendo com que suas forças, apesar de perigosas devido a sua moral elevada (seu orgulho ou moral guerreira), sejam formadas por grupos pequenos, o que favorece seus inimigos em guerras de exércitos e de forças maiores (fato comprovado pelos fracassos de incursões dos bárbaros aesires contra os hiborianos da hiperbórea).

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