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Raças e Culturas da Era Hiboriana - PARTE VI | Shemitas

Os Filhos de Shem eram poderosos nômades guerreiros que seriam descendentes da Raça Antiga mencionada por Howard em "A Era Hiboriana"

por Marco A. Collares

Parte VI


Em mais um texto sobre as ditas raças e culturas hiborianas, tratamos agora dos Filhos de Shem, um grupo que migrou do centro leste e se fixou no território que na época de Conan seria chamado de Shem ou Reino de Shem, ainda que não se trata de um reino unificado. Eles não são Hiborianos e assim como os zamorianos, seriam descendentes da chamada Raça Antiga, pelo menos se considerarmos a interpretação de Deuce Rischardson e Fernando Nesser dos textos howardianos (algo que concordo). Muitas informações abaixo não são, entretanto, extraídas apenas de Howard, mas também de algumas HQs, pastiches e do Gurps Conan.


Mesopotâmia, Síria, Palestina. Na Bíblia, Sem é o filho mais velho de Noé, o ancestral dos hebreus, árabes e assírios; por isso, o moderno "povo semita" e línguas semíticas (via grego Shem), usado apropriadamente para designar a família de línguas faladas por esses povos. (Texto extraído da obra “A Filosofia em Conan”, baseado nos relatos de Robert Howard e em estudos sobre o autor e seu universo ficcional).


Shem era basicamente uma terra de nômades guerreiros. Suas cidades estavam sempre em guerra umas com as outras e seus soberanos eram sempre parentes, que matavam uns aos outros pelo poder. Suas fronteiras eram Argos, ao Oeste; Koth, ao Norte; Khorajá, ao nordeste; os desertos de Zamboula, ao Oeste; e a Stygia, ao Sul. (Robert Howard - extraído do site Crônicas da Ciméria).


Os Filhos de Shem eram os pastores que vieram da costa do deserto do Mar de Vilayet, que por sua vez, seriam descendentes dos integrantes da chamada Raça Antiga, mencionada por Robert Howard em sua “Era Hiboriana”.


Suas cidades estavam sempre em guerra umas com as outras e seus soberanos eram sempre parentes, que matavam uns aos outros pelo poder. Suas fronteiras eram Argos, ao Oeste; Koth, ao Norte; Khorajá, ao nordeste; os desertos de Zamboula, ao Oeste; e a Stygia, ao Sul.

As mulheres shemitas era conhecidas pela beleza (Bêlit, a propósito, era shemita).

Sua história inicial foi de submissão aos estígios, com pagamentos de tributos aos sacerdotes negros, ainda que se negando a adotarem o culto do deus-serpente, o Pai Set. Depois da conquista de Koth pelos hiborianos, os estígios se retiraram de Shem, para o sul do Styx, deixando os Filhos de Shem para se defenderem sozinhos. Logo, eles se rebelaram dos tributos dos estígios e se aliaram aos khotianos, trocando um domínio por outro. Após uns quatrocentos anos, os Filhos de Shem expulsaram seus feitores khotianos e conquistaram sua independência.


O problema é que seus líderes tribais e guerreiros não se entendiam e várias cidades-Estados independentes se tornaram parte de suas existências, o leste ainda mais fragmentado do que o oeste, com muitos mercenários pagos e diversas caravanas e rebanhos de pastores no ermo desértico.

Os nômades atacavam as caravanas do oeste.

Isso piora ainda mais em razão dos ataques dos nômades zuagires, uma das culturas da região que atacam as caravanas do leste. Somente no oeste, onde os reis de Asgalun governam, existe certa estabilidade e centralização política. Nos dias atuais, os Filhos de Shem das cidades-Estado são chamados de shemitas para se diferenciar dos nômades do deserto e dos zuagires e eles precisam cuidar para manter sua independência de Koth, visto que Strabonus de Koth, o rei daquele reino hiboriano tenta a todo instante a retomada dos tributos de outrora, fora o fato das incursões de estígios, hirkanianos e turanianos deixarem a região instável.


Isso fomenta tentativas sem sucesso de unificação, ainda que os senhores do leste se recusem a reconhecer a hegemonia dos reis de Asgalun. Os shemitas, agora civilizados, desconfiam de Strabonus de Koth e não gostam dos sacerdotes estígios, mantendo, no entanto, comércio com ambos, mais com Turan e Zamora.


A geografia difere entre o ocidente, com planícies e campinas montanhosas que terminam no Mar do Oeste e o oriente do reino shemita, onde o território é pedregoso, seco, plano, quase um cerrado acidentado que se vincula ao deserto turaniano.

Minaretes e torres são características marcantes nas cidades shemitas.

O reino só tem certa estabilidade no oeste, no pequeno reino de Pelihstia, onde a cidade de Asgalun (Askalon entre os locais) se encontra, na foz do rio que deságua no Mar do Oeste, sendo ela o principal porto de Shem. No leste vigora a poderosa Shusham, a Imperial, maior cidade-Estado do leste e rival de Asgalun.


As mercadorias de Shem são variadas, de armas, armaduras, joias, artigos de couro, vinhos, alimentos exóticos e talvez, os tecidos cor púrpuras, tecidos esses que cobre a realeza. Cada cidade tem um ou dois produtos principais e o comércio é necessário entre elas, por não serem tais centros urbanos e arredores, auto suficientes. As caravanas recortam a região, com a venda de produtos variados, até mesmo de gado, leite e cabras.



O Filho de Shem em geral, seja ele shemita ou zuagir é uma raça que possui altura média, cabelos negros azulados e olhos negros, com narizes aduncos e corpos sólidos e largos. Suas barbas encaracoladas, as vezes são cortadas com a forma de uma coluna pontiaguda pendendo do queixo.

Abraão e Isaque. Os hebreus também foram inspiração para a criação dos shemitas.

Pode-se dizer que temos aqui o semita típico, o árabe, hebreu, o babilônico antigo, o assírio, o libanês, quem sabe com arquitetura e esculturas ao estilo sumério-babilônico mais minaretes árabes, arabescos mesclados a zigurates. O rei de Pelishtia seria o senhor de Shem em termos de status, mas os senhores do leste não aceitam suas ordens. Os reis de outras cidades o ignoram e os oficiais guerreiros e mercadores são aqueles com mais status após os reis. O comércio de escravos é relevante também.


Deve-se destacar novamente as tribos dos Filhos de Shem do leste que formam os ditos zuagires, nômades bárbaros (com origem bárbara na maioria dos casos) que atacam caravanas de quaisquer cidades-Estado shemitas, bem como de Turan e Zamora, pilhando armas, comida e minérios. Eles espalham sua influência para além de Khauran e são uma ameaça tão grande que levam as cidades a contratarem mercenários ou mesmo tropas turanianas a adentrar o reino para emboscar os mesmos.


A lei varia de cidade a cidade shemita, mas um elemento se destaca. Os bairros estrangeiros nas cidades e a permissão para que não seja aplicada a Lei de Talião aos que não conhecem a dura legislação shemita, o que permite a passagem de caravanas estrangeiras. Leis incomuns como de não poder beber álcool em público, comer certas comidas como o porco podem aparecer em algumas cidades.

Os shemitas, propriamente ditos possuem forças armadas heterogêneas e que variam de cidade a cidade, do oeste para o leste, com mais cavaleiros no oeste do que infantes, no leste figurando os piqueiros, arqueiros ou tropas a camelos. Aliás, como diz uma fábula no oeste, o shemita é um perito no manuseio do arco, como se tivesse nascido com um nas mãos.


Os mercenários são as melhores tropas, principalmente no leste, sendo experientes por causa das guerras endêmicas entre as cidades e da ameaça dos nômades zuagires, bem como das incursões de tropas de estígios, kothianos e turanianos.


A religião é complexa e os Filhos de Shem (principalmente os shemitas) possuem muitos deuses, com cidades possuindo seus altares específicos e deidades exóticas, incluindo os demônios lovecraftianos da Noite Antiga. Em geral, os cultistas shemitas acreditam que os deuses estão presentes nas suas estátuas de bronze dos templos, o que difere do culto hiboriano de Mitra, que acredita que uma representação é apenas um foco do deus.



Interessante que as estátuas são estilizadas e o ventre proeminente de Ishtar ou o falo de Adonis deixam os sacerdotes de Mitra deslocados e até sem jeito. Nos ventres das estátuas de bronze shemitas podem acontecer sacrifícios de animais e até de pessoas, com a queima de sândalos, objetos de valor e aromatizantes.

O culto dos amantes Adonis, o deus criador do ar e do mundo celeste e Ishtar, a terra criadora são fortes, bem como do deus dos ladrões e dos zuagires, Bel, além da criada de Ishtar, Astoreth, deusa da castidade e da primavera que cura os males e a provocante, sedutora e libertina, Derketo, que seduz Adonis a mando de Set, mas se volta contra o deus dos chacais para ajudar os irmãos.


Set pode aparecer, mas é raro. Quando aparece, pode ser o deus-chacal que tentou impedir os amantes de criarem o mundo, ainda que alguns teólogos o vinculam ao deus serpente estígio, o Pai Set. Não devemos esquecer a influência estígia na religião shemita.


Os nomes possuem um viés assírio, semita em geral e babilônico, podendo também ter alguma influência suméria e árabe. Afrit, Aramas, Bêlit (sim, ela era shemita), Datlhan, Eblis, Elohar, Enok, Enosh, Gilzan, Gilgamesh, Eridu, Enkidu, Gomer, Isair, Isaiab, Mena, Nahor, Uriaz, Yllin, Yin Allal, Zebha e Zillah são alguns possíveis.

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