Raças e Culturas da Era Hiboriana - PARTE VIII | Zíngaros e Zamorianos

Povos ibéricos, semitas, ciganos: inspirações de Howard para compor estes povos da Era Hiboriana

por Marco A. Collares

Parte VIII


Importante destacar novamente que esse texto não está referendado apenas nos escritos originais de Robert Howard, mas também em outras fontes. Não se trata de um texto purista. Muito do que seguem nas linhas foi retirado de HQs, pastiches e também do Gurps Conan e deve ser pensado a partir do que foi escrito nessas fontes.


Zíngaros


Espanha/Portugal. Península Ibérica como um todo. Zingara também é italiano para "mulher cigana"; Isso pode significar que Howard misturou os nomes de Zingara e Zamora, com Zingara originalmente destinado a se aplicar ao reino cigano, e Zamora ao reino espanhol (Texto extraído da obra “A Filosofia em Conan”, baseado nos relatos de Robert Howard e em estudos sobre o autor e seu universo ficcional).


Outro importante reino, responsável por grande parte do comércio marítimo hiboriano. Fazia fronteira com a terra dos pictos, ao Norte; a Aquilônia, no Nordeste; Argos, no Sudeste; e o Mar do Oeste, no Sudoeste (Robert Howard - extraído do site Crônicas da Ciméria).


Ilustração: Miguel Regodón.

Os zíngaros são uma mistura dos pastores shemitas, que criaram uma civilização no vale de Zingg, ao sul dos sertões pictos com outros três subgrupos específicos, uma espécie de “raça híbrida” com aspectos distintos.


Inicialmente, os pictos vieram do norte e conquistaram as tribos de pastores Filhos de Shem que viviam na região, misturando-se a eles. Depois, os hiborianos vieram e igualmente venceram tais povos, misturando-se também e formando o povo zíngaro e o reino de Zíngara propriamente dito, logo conquistando tribos mais simples que viviam na Península Zingarana (a mistura aqui é: Filhos de Shem, Pictos, Hiborianos e povos Autóctones da região, o que configura, além de uma cultura, uma espécie de “raça híbrida”).


Zaporavo, um pirata zíngaro. Fonte: Conan game da Monolith.

O povo é atarracado, moreno, com pele mais escura do que a dos hiborianos e aquilônios, parecendo o estereótipo dos nossos ciganos ibéricos (espanhóis, principalmente). Eles são excelentes marinheiros e navegadores, além de exímios espadachins, ainda que o feudalismo seja hegemônico no reino e que os senhores feudais sejam estereótipos dos fidalgos espanhóis e portugueses de finais da nossa Idade Média e início da Moderna.


São arrogantes, tal como os hiborianos nemédios e dominam o Mar do Oeste como exímios marinheiros, disputando espaço com os argorianos e com os piratas da Costa Negra, até Kush.


Zhemris - Zamorianos


O povo cigano. O nome vem da cidade de Samora, Província de Samora, Castela e Leão, Espanha, aludindo ao povo Gitano da Espanha (ver Zingara para discussão); ou possivelmente é baseado na palavra "Roma". Também pode haver alguma referência ao sul da Itália, já que os zamoranos dançam a tarantella em homenagem ao deus-aranha (conhecido como Omm e Zath). Também sugestões de Israel antigo e Palestina (Texto extraído da obra “A Filosofia em Conan”, baseado nos relatos de Robert Howard e em estudos sobre o autor e seu universo ficcional).


Reino do leste fundado pelo antigo povo dos Zhemri, vários milênios antes da Era de Conan. (O homem-elefante,Yag-kosha, disse que a raça zamora era pré cataclísmica.) A nação localizava-se a sudoeste da Hiperbórea, a leste da Britúnia e Corínthia, ao norte de Koth e ao este da estepe turaniana. Em sua fronteira oriental encontrava-se os Montes Kezakianos, além dos quais estavam os pântanos nominalmente pertencentes a Zamora, mas que, aos poucos, passou para as mãos de Turan. Outras montanhas elevavam-se em suas fronteiras meridionais e ocidentais, cujas passagens eram bloqueadas com as chuvas da primavera. A capital de Zamora, Shadizar, situava-se na Estrada dos Reis, principal rota de comércio do mundo hiboriano. Zamora era um reino antigo e peculiar. Nos tempos em que Conan era jovem, lá imperava um despotismo absoluto, sendo o rei dominado por um feiticeiro. A fé centralizava-se em Yezud no culto ao deus-aranha. Zamora foi fundada pelos Zhemris, aproximadamente na mesma época em que a Hiperbórea anterior foi tomada pelos Aesires. Nos primeiros tempos, os hyrkanianos caçavam escravos em Zamora,embora nunca conseguissem abalar o governo. Após a Era de Conan, Turan conquistou Zamora. Depois, o império turaniano expulsou os hyrkanianos, assumiu o controle e passou a exigir grandes tributos da cidade. Após a derrocada da Aquilônia, os hyrkanianos tomaram Zamora novamente. Desta feita, consolidando sua conquista, fixaram os refugiados zíngaros como elementos anti-separatistas entre o povo do deus-aranha (Robert Howard - extraído do site Crônicas da Ciméria).



A raça dos Zhemris é antiga e sua origem se perde nos anais da história, sendo talvez “Pré-Cataclísmica”, vinculada ao antigo reino de Comória, da época das primeiras grandes civilizações Thurianas. O fato é que, em algum momento da história, a raça se estabeleceu a beira do Mar de Vilayet antes das vagas hirkanianas fundarem, mais tarde, o reino de Turan.


Os zhemris se tornaram pastores nômades, agricultores e criadores de gado e de ovelha e ficaram nessa condição por muito tempo. Após a vinda da Raça Antiga para o oeste, quando foram criados os reinos de Acheron e da Estígia, a Antiga, os Zhemris iniciaram uma nova evolução, migrando aos poucos mais para oeste do mar interior, onde, na fronteira leste com os reinos hiborianos recém estabelecidos, criaram sua pequena nação conhecida como Zamora.

Foi em Zamora que Conan encontrou Yag Kosha. Ilustração: Manuél Sanjulian.

O homem-elefante, Yag-kosha, aprisionado pelo poderoso sacerdote-feiticeiro Yara na “Torre do Elefante” de Arenjun, a famosa cidade dos ladrões e importante cidade de Zamora teria dito ao bárbaro Conan que a raça de Zamora era muito antiga, conhecedora de alguns segredos do mundo que as raças hiborianas sequer imaginariam. A Nação, propriamente dita localiza-se a sudoeste da Hiperbórea, a leste da Britúnia e da Corínthia, ao norte de Koth e a oeste da estepe turaniana.

Em sua fronteira oriental, se encontram os Montes Kezakianos, além dos quais estão os pântanos nominalmente pertencentes a Zamora, mas que aos poucos, passam para o poder do expansionismo de Turan. Outras montanhas se levantam em suas fronteiras meridionais e ocidentais, cujas passagens são bloqueadas com as fortes chuvas da primavera, o que garante certa autonomia do reino diante dos avanços das nações hiborianas.


Detalhe de Arenjun, cidade dos ladrões.

A cidade mais conhecida de Zamora, Arenjun, também se situa na Estrada dos Reis, principal rota de comércio do mundo hiboriano. Zamora é um reino antigo e peculiar. Nos tempos em que Conan era jovem, lá imperava um Despotismo Absoluto, sendo o rei dominado por um feiticeiro, conhecido pela alcunha de Yara. A fé centralizava-se na cidade de Yezud e no Deus-Aranha Zath, que assim como o Set Estígio, poderia ser um deus da chamada “Noite Antiga”.


Zamora foi fundada aproximadamente na mesma época em que a Hiperbórea Anterior (ou Antiga) foi formada pelas vagas hiborianas. Nos primeiros tempos, os hirkanianos caçavam escravos em Zamora, embora nunca conseguissem abalar o governo local. Nos dias mais recentes, o reino hirkaniano de Turan conseguiu estabelecer a obrigatoriedade do pagamento de um tributo da parte de Zamora, pago pela nobreza que logicamente onera com isso os mais pobres.

Mulher cigana, com indumentária facilmente aplicável à muitas mulheres de Zamora.

Os zamorianos se gabam de seus segredos arcanos. Sua principal cidade é conhecida pelos seus perigosos bandidos, pelos indiferentes escravagistas, pelas manipuladoras guildas de ladrões, pelos habilidosos espiões e assassinos e pelos ricos mercadores que controlam o mercado negro continental.


Muitas tavernas e estalagens de bandidos e rufiões se encontram em “A Marreta”, espécie de bairro cheio de becos e vielas escuras que serve de ponto de encontro para as personalidades mais perigosas do submundo do crime do continente. As sombras dos becos, aliás, escondem alguns dos piores criminosos, ladrões e necromantes conhecidos, fora aranhas gigantes que perambulam em teias quase invisíveis entre os edifícios e torres arcanas da cidade incrustada de joias.


Homens como o feiticeiro-sacerdote Yara são o centro do poder, deveras influentes sobre a realeza e sobre a nobreza em geral, com seus poderosos poderes das trevas. Da mesma forma, em Zamora são encontrados os maiores e mais habilidosos ladrões que o dinheiro pode comprar, sendo Taurus da Nemédia apenas um bom exemplo de criminoso famoso e habilidoso que perambula pelo pequeno reino.


Os zhemris, que formam os zamorianos “modernos” (e aqui, raça e cultura se mesclam, visto que é comum chamar de raça zamoriana e não zhemri) são uma raça de estatura média-baixa, com olhos escuros, tal como a pele, contendo cabelos pretos e traços finos. Seus corpos e membros são mirrados e eles são conhecidos pelo olhar maligno de ganância e crueldade, traços tidos como típicos de sua raça e que faz muitos de seus integrantes vestir tal estereótipo.


A lei, aliás, é pouco severa com os criminosos e o ônus da acusação é quase sempre do acusador. Caso um crime seja reportado e o acusador não prove tal crime, ele paga uma multa pelo processo. O policiamento é brando e a prisão só ocorre em casos de flagrante, o que fomenta a impunidade e a causa para que muitos criminosos vivam em Arenjun.

Zamorianos também são baseados no povo cigano.

A nobreza é cruel e escravista e os segredos arcanos são poderosos nas cidades, incluindo Yezud ou Shadizar, a “Perversa”, governada por um Satrapa manipulador e maligno. Aliás, a esterilidade da terra de Zamora faz com que seja preferida a criação de gado e de ovelhas magras, bem como a extração de zinco de suas minas.

As forças armadas zamorianas são ligeiras e experientes, apesar de aparecerem muitas tropas turanianas na Estrada dos Reis, que passa pelo reino. As tavernas nas cidades são abarrotadas de meliantes e bêbados e sempre são bons lugares para acontecerem confusões e brigas generalizadas. As prostitutas vestem seda e o exotismo dos nobres é muito semelhante ao dos rufiões, gigolôs, mercadores e ricos escravagistas, cheios de joias e de subterfúgios em suas desonestidades quase inatas.



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